Como analisar uma proposta para trabalhar em outro país

7 dicas que te ajudam a decidir sobre mudanças internacionais


Depois de anos de trabalho, veio a tão sonhada promoção capaz de levar sua carreira para outro patamar. Mas esta promoção inclui uma mudança de estado, ou mesmo de país. E agora? 

Esta é a pergunta que me fez um amigo europeu após me contar com muito entusiasmo sobre sua promoção para uma posição global e estratégica da empresa. Só que a oportunidade está no Japão. Apesar de ele já ter ido lá várias vezes a trabalho, a ideia de passar 2 anos longe da família e amigos, em um lugar com cultura tão diferente da sua assusta e traz muitas dúvidas (veja entrevista de um profissional que passou 2 anos trabalhando na Ásia). 

Com certeza, esta é uma decisão muito pessoal e depende tanto das ambições profissionais como da vida pessoal do profissional. O impacto de uma mudança dessa magnitude é muito diferente para um profissional solteiro e para outro casado, com filhos em idade escolar. O país em questão também faz muita diferença já que a adaptação pode ser mais rápida ou lenta dependendo de se o profissional e seu cônjuge falam ou não a língua local. Excluindo-se os fatores particulares de cara situação, alguns fatores gerais devem ser analisados pelos profissionais que têm uma oportunidade de trabalhar em outro país:
  1. Período da mudança: a mudança pode ser por tempo determinado, no caso de um projeto específico, ou indeterminado, no caso se expatriação. Esteja ciente do período que você ficará fora e tenha certeza que suas expectativas estejam alinhadas às expectativas da empresa. 
  2. Salário: você fará uma grande mudança na sua vida e é natural querer que a empresa o recompense por encarar tal desafio. Negocie com a empresa até estar confortável com os benefícios que ela irá te oferecer para a mudança, depois que se mudar é pouco provável que consiga fazer algum ajuste. Lembre-se que a maioria dos países não tem 13o salário ou férias remuneradas como no Brasil. Confira item por item da sua remuneração atual e compare com a proposta,incluindo elegibilidade para bônus e participação nos resultados, para garantir que você não terá perdas. Se você estiver se mudando para um país com moeda menos estável que o real, é interessante fixar seu salário e benefícios em real ou outra moeda mais estável como o dólar. Analise também o custo de vida no país de destino em comparação ao Brasil e verifique qual será o poder de compra com o novo salário e benefícios.
  3. Auxílio mudança: entenda quais custos operacionais da mudança a empresa irá cobrir, tais como passagem aérea para o profissional e família e carregamento de itens pessoais por contêiner ou transporte aéreo assim como pagamento de despesas de moradia por tempo determinado ou durante todo o período da mudança. 
  4. Férias: em outros países, férias não costumam são fixas e estabelecidas por lei como no Brasil. Na Europa isto não costuma ser um problema, já que lá eles têm tantos ou mais dias de férias e feriados que o Brasil. Já nos EUA, alguns países da América Latina e Ásia, em geral são menos dias de férias, variando de acordo com a empresa.Tente negociar um número de dias mais próximo ao que você usufrui no Brasil, afinal você terá que vir visitar família e amigos.
  5. Previdência: o ideal é que sua empresa continuasse pagando pelo seu INSS, FGTS e previdência enquanto você esta fora, mas como nem sempre isso é possível (depende de quem vai pagar o seu salário, a empresa no Brasil ou no outros país), o ideal é que você negocie que a empresa te pague estes benefícios e você deverá gerenciá-los (poupando o equivalente ao FGTS e pagando o INSS mesmo quando estiver fora). 
  6. Suporte para adaptação: se você estiver se mudando para o país cuja língua não domina negocie com a empresa um curso do idioma local, mesmo que no ambiente de trabalho teoricamente todo mundo fale inglês. Isso só é verdade em países em que o inglês é língua oficial, mesmo que não seja primeira língua. Eu conheço vários profissionais que se mudaram achando que bastaria o inglês no trabalho e tiveram problemas de adaptação. Eu mesmo, quando fui trabalhar na China tinha esta ideia equivocada. Só não tive grandes problemas lá porque além dos funcionários da empresa, a maioria dos clientes com quem eu trabalhei eram ocidentais e falavam inglês. Para conversar com os clientes chineses eu tinha que contar com a ajuda dos meus colegas bilíngues. 
  7. Impostos: esteja ciente da carga tributária do país para o qual está se mudando. Mas tenha em mente que impostos mais altos nem sempre significam maiores custos já que a maioria dos países que possuem impostos mais altos que o Brasil também oferecem educação de qualidade gratuita, melhores transportes públicos, mais segurança e outros serviços que refletem em uma melhor qualidade de vida.
Estas são apenas algumas dicas 'técnicas' para ajudar na sua decisão. Converse com pessoas que tiveram experiências semelhantes na sua empresa ou em outras. E se você não conhecer o país para onde pretende ir, pesquise muito, procure brasileiros que moram lá (use o LinkedIn e outras redes sociais) e veja a opinião deles sobre a cultura e estilo de vida. 

Depois que você fizer todas as análises detalhadas, ouça sua intuição, e veja se a oportunidade faz sentido para sua carreira e vida pessoal. 

E compartilhe conosco qual foi sua decisão final! Meu amigo ainda não se decidiu se aceita ou não o desafio e morar na Ásia. E você? Gostaria de ter uma oportunidade de trabalhar fora? Quais fatores você pesariam mais na sua decisão?

Texto by Exec

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