Quanto tempo devo ficar no meu emprego?

O aumento da rotatividade profissional nos últimos anos


Recentemente, assisti um episódio do seriado americano "House of Cards" que me chamou atenção. Uma jovem jornalista, por volta dos seus 23 anos de idade, participava de uma entrevista de emprego e, ao comentar que gostaria de fazer carreira no jornal, foi interrompida pela entrevistadora, que a questionou se ela realmente se enxergava fazendo aquele trabalho por mais de dois anos, pois ela mesmo não se enxergava naquela posição dentro da empresa após esse período. 

Por mais estranho que possa parecer, essa é uma tendência de comportamento dos últimos tempos. Eu me lembro que o sonho dos meus pais era que eu me formasse, entrasse numa grande empresa, de preferência uma multinacional, e dessa maneira, minha vida estaria feita. Não precisaria mais me preocupar com o futuro, pois o mesmo estaria garantido. Acredito que esse sonho não era exclusivo dos meus pais, mas sim de 90% dos pais cujos filhos nasceram entre as décadas de 70 e 80 no Brasil.

Entretanto, fazer carreira numa única empresa, em pleno século XXI, está ficando cada vez mais raro. Esse sonho dos meus pais - felizmente - eu não vou realizar. É cada dia mais difícil encontrar alguém que tenha mais de 5 anos de casa em qualquer empresa por onde você trabalhe. E ainda assim, caso você encontre, é bem provável que você julgue tal profissional como sendo uma pessoa acomodada. Tornar-se o famoso "prata" da casa já não é mais o desejo da grande maioria dos profissionais que possem aspirações de carreira (e olha que nem precisam ser grandes). Mas então, o que mudou? Por que mudou?

Nos últimos 20 anos, principalmente com o advento do plano Real, o Brasil, mesmo com alguns percalços no meio do caminho, mudou muito. A população passou a ter um nível maior de escolaridade, com maior acesso ao ensino superior. Além disso, houve o crescimento da economia, que gerou mais empregos, mais renda e travou uma verdadeira guerra por talentos. Pudemos também usufruir novas experiências, principalmente internacionais: fazer um intercâmbio, estudar línguas em outros países, viajar e conhecer novas culturas. Com isso, para uma boa parcela da população brasileira, o Brasil deixou de ser um país isolado e passou a fazer parte de um mundo cada vez menor, que provê inúmeras possibilidades de vida, e, consequentemente, de carreira.

Aliado à maior gama de possibilidades profissionais, há também o conflito de gerações. A famosa geração Y (já abordada nesse blog neste post), não se contenta em fazer o quê não gosta - por isso saem dos empregos e situações de vida que não lhe agradam facilmente e sem nenhum desprendimento. Os Ys também querem vivenciar o maior número de experiências possíveis, e as experiências profissionais não ficam de fora delas. 

Todos os fatores acima citados, contribuíram para o aumento da rotatividade profissional. Mas então, o quê fazer? Devo trocar de emprego a cada 2 anos? Como o mercado de trabalho me enxergará? 

Bom, se você está há mais de 3 anos no seu emprego, não precisa sair correndo atrás de uma outra oportunidade só por causa disso. Dentre todas as mudanças que o mercado profissional vem passando, acredito que essa métrica "quanto tempo você ficou no seu último trabalho" não seja mais tão relevante quanto era até algum tempo atrás. Eu acredito que independente do tempo, o que você está fazendo, por que está fazendo, quais conhecimentos está adquirindo e se essa experiência é relevante para a sua carreira são as questões mais relevantes a serem respondidas por você para saber se está ou não na hora de trocar de emprego. E se você achar que está na hora de mudar, se movimente e corra atrás dos seus objetivos profissionais.

A sua trajetória e experiência profissionais são os fatores que realmente contam nesse momento, independente de você ter ficado 10 ou 2 anos no seu último emprego. Como já mencionei nesse outro post, fiquei mais de 5 anos no meu último trabalho e só saí quando vislumbrei que não faria mais sentido continuar lá visto aos meus objetivos profissionais futuros.

Agora, se você está parado no seu trabalho por um período significativo, sem adquirir novos conhecimentos, sem exercer novas habilidades e fazendo a mesma coisa sempre, pode ter certeza de que você se tornou um profissional fora de moda. E quando as coisas saem fora de moda, a tendência é que elas sejam descartadas. Então meu amigo, cuidado, pois você poderá, cedo ou tarde, ser obrigado a deixar a sua zona de conforto.

E você, há quanto tempo está no seu trabalho? Já começou uma carreira em uma empresa e resolveu sair? Ou entende que fazer uma carreira ainda está em moda?

Conte-nos sua experiência e seu ponto de vista.

By Boss.

7 comentários :

  1. Eu sou de uma geração que tinha mais os "pés no chão", provavelmente por puro comodismo, não fiz faculdade, meus pais não tinham como me dar suporte para eu estudar, precisei ir para o mercado de trabalho para ajudar a família. Hoje aos 48 anos, estou em uma universidade realizando um sonho, mesmo pertencendo a uma outra geração, apoio completamente a minha filha que tem 21 anos, ela não pensa duas vezes quando o assunto e mudar de emprego o limite pra ela e 2 anos se durante este período nada acontecer profissionalmente ou se não estiver contente com o que esta fazendo, ela mudar de emprego. E isso e muito tranquilo pra ela que com essa idade esta no 4º ano de engenharia e um currículo muito bom. Por isso empresas se cuidem para não perderem excelentes profissionais.

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    1. É isso aí!!! Mas o importante também, é agregar valor para as empresas e, em alguns casos, a moçada está querendo o retorno sem oferecer nada, simplesmente porque ouviram que na geração deles é assim. Sua filha está no caminho certo. Estudando e sendo próativa. Isto atualmente faz toda a diferença!

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  2. Olá! Eu, apesar de fazer parte da geração nascida na década de 80 (81 especificamente), passei por situações de desconforto por parte de meus pais na hora de trocar emprego, mas sempre o fiz quando achei necessário.
    Claro que sempre entramos em uma empresa com intenção de por longos anos, senão pelo resto da carreira, porém, por mais estranho que pareça"dizer", mas quando sinto que estou entrando na zona de conforto, me sinto desconfortável e se a empresa não oferece novos desafios e oportunidade de aprender mais, percebo que é hora de buscar algo fora.
    Hoje aos 32, desde que iniciei no mercado de trabalho aos 14, já passei por mais de 10 empresa, incluindo a posição de professor em uma faculdade. Percebo que a bagagem adquirida por diversos ramos de atividade me proporciona transitar sem problemas por empresas e áreas de conhecimento, pois o mesmo não é específico.

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  3. Anônimos,

    Muito obrigado pelos seus comentários! Mudar de emprego hoje em dia é bem mais comum que há alguns anos atrás, os profissionais não querem se acomodar e se as empresas não conseguem oferecer novos desafios de tempos em tempos, poderão perder talentos para a concorrência.

    Continuem acompanhando o Carreira e Você nas redes sociais e participando das discussões!

    Abraços,

    Carreira e Você

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  4. Eu tentei sair da área que estava há um bom tempo e na verdade me arrependi. Estou a 9 meses numa empresa global, porém não me adaptei e não consegui agregar nada pra'quilo que eu realmente penso em crescer.

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  5. Nem todo mundo ama essa prisão corporativa em que vivemos. Muitos, com eu, trabalham apenas porque dinheiro é um mal necessário. Mais que isso, antes de ser um funcionário, um "produto" a ser vendido, uma peça da empresa, a pessoa é um ser humano que tem sede de mudança e o direito de ir e vir. Se isso "pega bem" ou não aí é uma questão de padrões...e padrões não faltam na nossa sociedade que fabrica stress, materialismo e não vive como merece viver. Não digo para todo mundo ter minha visão hippie da vida mas que enxerguem que uma coisa é trabalhar para viver e outra é viver para trabalhar. Nem todo mundo tem uma visão comercial da vida e "maturidade" é associada ao lucro que damos, as tradições que herdamos sem pedir...mas há quem tenha coragem de ir contra a maré da tão querida "normalidade".

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  6. Caro Anônimo: Vc tem montes de razões na maioria de suas assertivas. Marcar passo em empresas, só porque são grandes e sólidas, com medo de não achar outra que te pague seu salariozinho em dia, é uma ilusão. Isto porque, quando vc chegar ´na marca do penalty´, que é quando passa dos 40 e se aproxima do 50, você vai, sim, tomar um pé na bunda e ser substituído por outro ´você´, com a metade da sua idade, ganhando metade do seu salário, e, para a empresa, realizando tanto quanto você realiza (talvez mais, porque aos olhos da sua empresa, seu substituto será mais jovem, mais moderno, mais proativo, mais multifuncional). Então, antes que o ´jacaré te abrace´, vá à luta, se está se sentindo estacionado, sem chances, sem futuro, exceto a porta da rua. A única vantagem que o empregado tem sobre o empregador é a liberdade de entrar e sair de uma empresa. Então, use dessa sua prerrogativa. Porém, enquanto estiver trabalhando, seja leal, honesto, cumpridor de suas obrigações. Se acha tudo isso uma babaquice sem tamanho, performe. Mas performe no sentido de atuar. Atue, seja um artista. Guarde você pra quem te merece (pra você mesmo e para a pessoa ou pessoas que você ama e que te amam de verdade). Essa Vida é rápida demais pra você pensar que essa empresa que está é sua maior e única chance. Esteja certo que entrar e sair de empresas não é drama nenhum. Se não é pra quem emprega, por que seria para o empregado?? Caia na real. Trabalhar, como alguém quis dizer aí nos comments, é uma merda mesmo. Bom é surfar, viajar, namorar, praia, neve, amar muito, comer e beber bem. A gente trabalha só pra conseguir ser feliz. Só pra isso. Conscientize-se.

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