Já pensou em trabalhar no exterior?

Dicas para profissionais que desejam trabalhar fora


Você já pensou em deixar sua vida e carreira no Brasil e tentar a sorte em algum outro país? 

Carreira e Você entrevistou o profissional Leonardo Wilhelm que recentemente trocou uma carreira em ascensão em São Paulo pela oportunidade de trabalhar na Austrália. O Leonardo é jornalista de formação e tem mais de 10 anos de experiência em marketing digital, com longa passagem pelo Google, start-ups e multinacionais online como Expedia e Orbitz. 

Carreira e Você:  Como foi sua decisão de trabalhar fora e por que você escolheu a Austrália?

Leonardo Wilhelm: Eu sempre tive interesse em ter uma carreira internacional por diversos motivos: qualidade de vida, ambiente de trabalho mais profissional, exposição a novas culturas, etc.
Eu pensava em Nova York, São Francisco ou Londres, mas quando via uma proposta, fazia as contas e via que teria uma queda drástica de renda líquida. A Austrália entrou no meu radar através de uma amiga, que mudou para cá com o namorado. Após conversar com ela e pesquisar um pouco mais, notei que o mercado online aqui está superaquecido, com muitas opções de emprego e que a ética de trabalho me agrada mais.

CV: Você fez o recrutamento todo pelo Brasil. Quais ferramentas utilizou e quais foram os principais desafios de recrutar à distância?

LW:A primeira coisa é ter LinkedIn e Facebook atualizados e amigáveis para recrutadores. Eu recebo a maioria das minhas propostas pelo LinkedIn, mas também algumas pelo FB. De qualquer forma é sempre bom tentar ser neutro nos perfis para evitar perder uma oportunidade. As entrevistas foram todas via telefone ou Skype, para minha empresa atual e em outras que entrevistei, como AirBnb, Facebook, Twitter e Criteo. A principal barreira é prática: a qualidade das ligações aliada ao idioma limitam sua capacidade de se expressar da melhor maneira possível. Em muitos casos, você também está lidando com alguém cujo primeiro idioma também não é o inglês e isso adiciona uma dificuldade a mais à comunicação.

CV: Como está sendo sua adaptação ao seu novo emprego em Sydney? Quais as principais diferenças no ambiente de trabalho em comparação à São Paulo?

LW: Sydney tem um clima laid back, descontraído, que é fácil de se adaptar e está lotada de imigrantes. Se você está mudando sozinho, o ideal é procurar uma cidade desse porte e que acolha imigrantes. Suas chances de fazer amigos e contatos são muito maiores.

No trabalho, o australiano é relaxado e mais fácil de lidar em geral. Aqui os horários são 9-17h30, com intervalo de 30 minutos para almoço. A grande maioria traz comida de casa e socializa menos, mas foca mais. Quando chega 19hs, lojas estão fechadas, escritórios vazios - tudo funciona somente em horário comercial praticamente e só quem precisa fica depois do horário.

CV: Mesmo estando há pouco tempo na Austrália, você conseguiria traçar um paralelo entre o mercado Australiano e o Brasileiro? 

LW:Vamos começar pelas vantagens do Brasil: mais fácil fazer amigos, você já conhece a cultura e o dinheiro remove certos obstáculos mais facilmente na sua vida (casa própria, doméstica, motoboy, procuradores e afins). Além disso, o custo de vida é menor, mesmo em SP e RJ, particularmente aluguel, e os salários para executivos são atraentes.

A Austrália é não só uma escolha profissional como pessoal. Aqui você vai ter uma qualidade de vida excelente e dificuldade em conhecer alguém que já foi assaltado, vai morar bem, sem risco na sua vida e e em geral vai ter um dia a dia mais tranqüilo. Fora isso, um grande plus é a falta de uma cultura personalista. Você sente claramente que o fato de os seus superiores gostarem ou não de você impacta menos sua carreira. Ninguém está muito preocupado em controlar os outros e fofocar. As discussões (e a pressão) giram mais em torno de resultados.

CV: Quais as dicas você daria para quem quer trabalhar fora?

LW:Primeiro, coloque na cabeça que você não sabe nada de idioma nenhum, mesmo que tenha cursado uma escola de idiomas até o fim. A exposição no Brasil ao inglês e espanhol são mínimas. No dia a dia, você perde o contexto das coisas e sente falta de mais sensibilidade cultural. Sua capacidade de vender suas idéias e seu trabalho está diretamente relacionada a você ter referências culturais em comum e ter fluência para comunicar. Você tem que ser proativo e estudar, praticar, fazer amigos estrangeiros e, principalmente, viajar.

Do ponto de vista de oportunidades, o ideal é ir trabalhar em uma multinacional. Elas abrem portas, ajudam na transferência e te dão a visibilidade que você precisa para atrair um headhunter ou ganhar a confiança de um recrutador em outro país (que nunca ouviu falar da sua escola ou das empresas nacionais que você trabalhou).

Por fim, a melhor maneira de você aumentar suas chances de ser recrutado fora é desenvolver uma habilidade ou competência com alta demanda e poucos profissionais. A área que estou, marketing online, ainda está crescendo e faltam profissionais com experiência gerencial e histórico de resultados. As redes, parceiros e modus operandi, por outro lado são praticamente idênticos em toda parte. Carreiras como direito e finanças são mais limitadas devido à natureza local do trabalho. Vale a pena transicionar para áreas adjacentes que abram o leque de opções.

CV: Você já trabalhou fora ou tem vontade de ter uma carreira internacional? Conte-nos suas experiências!

Vale a pena dar um tempo na carreira para ir estudar fora?

2 comentários :

  1. Oi, gente. Tudo bem?

    Entrevista super bacana! Interessante demais todo o trem do Leonardo. Aliás, o blog todo é bem legal e os artigos são super interessantes. Tanto que me fez pensar que talvez a gente possa se tornar parceiro. Trabalho na área de marketing da Manager Online e, acho, uma parceria funcionaria bem pra ambos.

    Queria conversar com um de vocês acerca do projeto. Será que vocês poderiam me mandar um e-mail (thiago@manager.com.br)?

    Abraço!

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    Respostas
    1. Olá Thiago,

      Obrigada pelo comentário! Se cadastre no site e nos acompanhe pelas redes sociais para você ficar a par das nossas discussões.

      Abraços,

      Carreira e Você

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